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Histórias Irreais

São pedaços de vida, são desabafos de uns e outros, são partilha

São pedaços de vida, são desabafos de uns e outros, são partilha

O som

Estava ansiosa. Enquanto lhe arranjavam o cabelo, pensava no noivo, João: olhos verdes, sorriso aberto que lhe acelerava o coração.

Iam casar dali a instantes...

Olhou-se ao espelho; vestido branco de renda, cabelo impecável com uns enormes caracóis dando-lhe um ar de menina.

A mãe ofereceu-lhe os brincos, aqueles que também já tinham pertencido à avó. Agora sim, estava pronta.  

Caminhava pelo braço do pai para o altar. Lá estava o João, alto, fato cinzento, o sorriso, o mesmo sorriso por que se apaixonara.

Mais uns minutos e eram um do outro, para sempre, ouvia ao longe um apitar, insistente, olhou ao redor, não percebia de onde o som vinha, mais uma vez, outra.

Acordou em sobressalto e desligou o despertador, estava na hora de ir trabalhar.

 

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Esperava

Passava a tarde sentado no banco do jardim, de cigarro na mão, absorto em pensamentos.

Todos o conheciam e questionavam porque estaria ali, todos os dias, sozinho sem nunca falar com ninguém.

Uns diziam que esperava pela mulher amada, outros afirmavam que tinha uma doença grave, e ainda havia quem garantisse que era apenas maluco.

Na realidade ele esperava sim. Esperava o dia de reencontrar a mulher amada. Estava doente sim, de saudades. Era maluco sim, por ela, desejava o reencontro.

Passava ali as tardes onde tinham sido felizes. Recordava o riso dela. Esperava há dez anos o dia em que o coração parasse, para finalmente estar junto dela. Só aí fazia sentido a vida dele, na morte.

 

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O ritual

Era domingo, tinha o dia inteiro para ela, passou a tarde no sofá a ver filmes, comédias românticas sempre foi os preferidos. Ao fim do dia, tomou banho, vestiu as calças de ganga favoritas, blusa de gola alta e um casaco quente.

Já na rua sentia o frio no rosto, gostava da sensação, entrou no restaurante, cheio de apaixonados, escolheu uma mesa, o empregado aproximou-se e diz - Espera alguém?

- Não, sou só eu.

Adorou a cara de espanto, jantou, observou os casais ao redor, alguns pareciam realmente felizes, gostava de ver.

Chuviscava ao voltar a pé para casa, gostava do ritual anual que escolhera para o dia dos namorados, sozinha e feliz.

 

Uma outra visão aqui

 

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Um dia como outro qualquer

Estava a chegar aquela data que lhe doía no coração.

Via os presentes nas montras, os apaixonados agarrados, parecia que nesta época o amor estava em todo o lado.

Lembrou a altura que também escolhia o presente, e ria com as brincadeiras que os dois tinham, a colecção de peluches e papeis coloridos com declarações de amor.

Agora era apenas mais um dia que passava sozinha e não tinha presentes para comprar, um dia que não tinha o telefonema, o beijo, o abraço, o carinho, um dia que não tinha o amor da vida dela.

Tudo à sua volta continuava exactamente igual, enquanto o mundo dela desapareceu.

Um dia como outro qualquer, era o que tentava dizer a si mesma, e às vezes quase se convencia.

 

Este  texto é uma realidade para muitos, tal como está escrito aqui, vamos fazer a diferença na vida de alguém.

 

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Oportunidades

Durante os anos de liceu foi a sua paixão, era bonito, popular e sempre rodeado de mulheres lindas.

Ela, franzina, óculos e aparelho nos dentes amava-o em segredo, era considerada a croma.

Seguiram destinos diferentes, ela acabou por se formar e trabalhar numa boa empresa, dele nunca mais soube nada.

Um dia numa festa da empresa, encontrou-o, era marido de uma colega, continuava bonito e popular.

Ela já não se sentia o patinho feio, mudara, usava lentes e não tinha aparelho, gostava da sua imagem.

Reconheceram-se e conversaram como velhos conhecidos, ficou a saber que afinal ele também tinha uma paixão por ela no liceu.

Aprendeu a não deixar passar oportunidades.

 

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Nunca foi

Desde os tempos de miúda sempre foi maria-rapaz, nunca foi o que esperavam dela.

A mulher arrumada, limpa e perfumada com a casa imaculada. Casada, com os filhos sempre limpos.

A mulher que nunca dizia não, que se anulava para o bem estar do marido, dos filhos dos pais e até dos amigos.

Nunca quis ser a mulher perfeita, coser meias, passar camisas ou fazer jantares gourmet, cujos nomes dos alimentos não sabe nem pronunciar.

Detesta vinho do porto ou licores, gosta de cerveja e fumar, conversar sobre bola, cinema ou música, não arranja as unhas e não está a par das últimas tendências da moda.

Nunca foi uma "maria vai com as outras", sempre opinou, sempre barafustou quando era injustiçada, nunca se deixou intimidar por ser ela.

Nunca se curvou por ser mulher, nunca foi o que queriam para ela, preferiu ser feliz.

 

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