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Histórias Irreais

São pedaços de vida, são desabafos de uns e outros, são partilha

São pedaços de vida, são desabafos de uns e outros, são partilha

Opostos

Ela adorava  música clássica, ele rock, ela gostava de salmão grelhado, ele de hambúrgueres.

Ela vestia clássico, ele desportivo, ela andava no ginásio, ele corria na rua. Ela gostava de férias na neve, ele no parque de campismo. Ela gostava de azul, ele preto. Não lhes deram mais de um mês  como casal.

Não tinham nada em comum, eram o oposto que se completavam. Comemoram 20 anos de casamento.

 

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Liberdade

Não sabia onde estava, era escuro e frio, não sabia sequer como chegou ali.

Tentou andar e não saía do sítio, não se conseguia mover, tentou falar, gritar, e nada.

Estava presa, de corpo e mente.

Ao fundo conseguia ver um luz, muito ténue, mas não avançava.

O terror invadiu todo o corpo, achou que jamais sairia daquele estado.

Acordou de repente, deu um salto da cama, correu para o espelho, olhou-se e verificou se tudo estava bem.

Estava, foi um pesadelo muito real.

Saiu para viver aquele dia, respirar, andar, falar, rir e brincar, necessitava de sentir a liberdade.

Nunca mais deu como certa a vida, aproveitou todos os momentos.

 

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Conta-me histórias #4

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Esta semana temos a Mula, que além dos desabafos é má língua, tem umas curtas giríssimas e ainda sabe cozinhar.

Obrigada pela simpatia, e pelo conto tão ao meu gosto, adoro este género.

 

 

 

"Murmurei baixinho o teu nome e pedi-te para ficares, mas tu não ouviste. Bateste a porta e saíste sem que eu conseguisse explicar-te os meus motivos, os meus sentimentos. Eu não fiz nada! Agora, o bater da porta martela-me na cabeça durante o dia, durante a noite nos meus sonhos, nos meus pesadelos. Eu não fiz nada! O bater da porta martela-me na cabeça para que nunca me esqueça que partiste, para que nunca me esqueça quão tonta fui por não te ter impedido, por não ter feito nada!
 
E já não estás aqui... E nunca mais estarás aqui!
 
E agora? O que me resta agora? Viver a minha vida com o perfeito vazio de ti! Viver a pensar o que seria de nós se ainda estivéssemos juntos, se não tivesses batido a porta naquele dia. Se ainda existisses na minha vida. Se ainda estivesses aqui. Se... Se... Se... Mas a vida não é feita de "ses" e cada "se" que me prende, mata um pouco mais a minha alma. Porque já cá não estás, e nunca mais estarás.
 
Às vezes acho que tentei, que tentei prender-te para mim e que te gritei para ficares... Creio apenas que não saiu som! Será que eu não queria que ficasses e por isso não me esforcei mais? Não tentei mais? Não gritei mais alto? Não te implorei para que ficasses? Acho que nunca te mereci... Acho que no fundo sempre soube que era injusto ficar contigo, porque eu nunca fiz por merecer o teu amor. E então não fiz nada!
 
Bem... Fiz... Fiz com que te fosses embora... para sempre! E sabes que mais? É que apesar de parecer cliché aquilo não significou nada. Sexo por sexo, meu amor. Acho que precisava de continuar a provar-me que não prestava e que não te merecia. Tu que sempre foste tão bom para mim. Eu nunca mereci que as pessoas fossem boas para mim. Nunca fiz nada para merecer o amor e a compaixão dos outros. Sempre te avisei disso... Chamavas-me tonta, dizias que eu era especial e que não o sabia. Vês como nunca fui especial? Como nunca fui boa? Acho que inconscientemente querer-te-ia magoar por seres demasiado bom. Porque seres tão bom, lembrava-me o quão má, o quão feia eu era. O quão feia e má eu sou. E agora já cá não estás! E eras a única coisa que realmente importava. Eras a única pessoa que realmente me poderia salvar - como se ainda houvesse salvação.
 
E agora? O que me resta agora? O vazio. O vazio e a tua foto na tua lápide de pedra naquele maldito jardim que te enterra."
 

Virtualidades

 

Hoje ao ler o texto da Chic'Ana lembrei das amizades que fiz neste mundo virtual.

Algumas tornaram-se pessoais, e são para a vida.

Apesar de já ter tido alguns dissabores, compensou largamente as amizades, e alguns conhecidos também.

Actualmente as redes sociais, blogues, chats e afins têm uma enorme importância na nossa vida.

Tal como na vida vamos seleccionando quem temos mais empatia, o passo seguinte por norma é passar ao real quando a proximidade nos permite, no meu caso somos todas da mesma cidade, Lisboa, acabou por facilitar os encontros.

Passado anos, todos os dias falamos, programamos fins de semanas, jantares, caminhadas, o que nos lembrarmos para estarmos juntas.

Entramos na vida umas das outras, vivemos as mesmas alegrias, tristezas, somos a força da que precisar.

Somos amigas, e isto diz tudo.

As amizades virtuais existem sim, muitas vezes tornam-se reais, como no meu caso, mas conheço algumas que nunca passaram do virtual, por questão de distância, e têm imenso valor.

Todos precisamos de alguém, muitas vezes esse alguém está ali, tão fácil como isso.

Se nos faz bem, seja virtual ou real, não interessa, é usufruir.

 

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 Muito obrigada Ana, por lembrares de mim na tua homenagem, gostei muito.

 

Amizade

 

 

Um texto meu já antigo, mas sempre actual.

 

A amizade antes de mais constrói-se. Como todos sabemos não olhamos para alguém e dizemos: somos amigos.

Temos de fazer por isso, e ir construindo os alicerces para construir e manter a amizade.

 

Como todos os "amores" é algo sempre recíproco, do tipo, tu dás, eu dou, nós damos.

Amizade não é dar palmadinhas nas costas, abanar a cabeça e concordar sempre com o outro. Amizade é dar um "estalo" ao outro se o vê ser  burro/a, parvo/a. Ajudar acordar para a vida, não ajudar a enterrar, é dar na cabeça, mas é também cuidar, preocupar-se, não tem de ser todos os dias, a toda a hora, e NÃO é com certeza só quando NÓS precisamos, temos de estar atentos, e saber quando o outro precisa. Não podemos reclamar uma atenção que nós não tivemos, damos, recebemos. Muitas vezes só damos durante muito tempo, mas eventualmente acabamos por receber naquele momento que precisávamos mesmo!

 

Escrever e dizer a toda a hora que somos muito amigos e que a vida é injusta porque só damos, não faz de nós melhor amigo, faz de nós alguém que não merece a amizade que exigimos, ou não o fez para merecer e continua a insistir num erro crasso, numa ilusão que só nós vemos ou pior ainda, faz de nós burros por acharmos que toda a gente que vimos meia dúzia de vezes é nosso amigo!

 

Quando não fazemos nada ou estamos indisponíveis durante algum tempo, não podemos exigir que os outros estejam sentados à espera que nos apeteça estar com eles, que naquele momento estamos disponíveis!

Não meus " amigos/as" estamos disponíveis ou não, ponto.

Em qualquer altura um amigo TEM de estar disponível, nem que esteja com o mundo virado ao contrário, mas ouve e fala, mas TEM de estar disponível, não podemos ficar disponíveis para os amigos quando nos dá jeito!

 

Portanto, amizade é basicamente amar alguém, com todos os defeitos e virtudes, é rir, é gozar com o outro, é proteger o outro, dar na cabeça, ralhar, mas essencialmente é estar lá quando o outro precisa sem pensar que só damos, porque se é amizade, vamos receber também um dia.

 

É isso, amizade é dar e receber, mas tanto o dar como o receber não é exigido, não é cronometrado, não é condição. É no dia e na hora que o outro precise.

 

E um amigo/a não precisa se ser lembrado que o é, ele/a sabe, sente.

 

Depois temos os conhecidos que são  muitos, com alguns até temos empatia, mas são...conhecidos que por várias razões não se tornaram amigos, mas é assim a vidinha, os amigos só são bons, porque não são assim tantos, senão eram banais e era tudo conhecidos!

 

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 Nazaré

 

Conta-me histórias #3

 

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Hoje  a convidada é uma menina com uns contos fantásticos, emociono-me a ler alguns.

O blogue Gesto olhar e sorriso, para além do nome que acho maravilhoso, tem textos que vale a pena ler. O texto de hoje é uma boa amostra da qualidade da escrita da autora, Obrigada Carolina, adorei.

 

"Por entre a multidão, naquele concerto, um ao outro, destacaram-se como que numa luz infinita.
Quando se conheceram houve algo no olhar de ambos que prometera mutuamente: “hei de te conhecer melhor que ninguém, não vais largar mais a minha mão quando eu responder a esse ato de as entrelaçar, a minha na tua.”
Perfeito, dito e feito.
Tornaram-se unha com carne, amigos inseparáveis, não precisavam expressar palavras para falarem, o silêncio dizia tudo o que era preciso pois os sorrisos e os olhares eram mais especiais que todo o mundo à volta.
Secretamente e timidamente amavam-se, mas nenhum deles conversava sobre isso, a ligação que tinham era forte demais para se perder.
Corriam pela areia como crianças que confrontam o infinito correndo livremente pela rua. Nos entretantos, entre risos e brincadeiras o beijo aconteceu e das gargalhadas nasceram as lágrimas puras, porque ambos sorriram em silêncio, como neles era tão natural, coisa que só eles sabiam explicar, no entanto era algo que não precisavam de o fazer.
Irmãos de sangue, melhores amigos, namorados se tornaram. O sabor cru e diferente de se amarem noutro prisma do amor trazia-lhe uma nova sabedoria, não tão díspar como a de outrora, mas era confuso, bom…
Ele amava-a perdidamente, ela tornava-se sexy mesmo desarrumada, cheia de borbulhas ou apenas com a camisola dele vestida, mas quando se vestia para sair conseguia ser ainda mais a mulher mais bonita do mundo. Com todos os seus defeitos, feitio casmurro e teimoso, ele era o melhor namorado do mundo, nunca confiara tanto em alguém como nele, sentia-se protegida e amada nos seus abraços.
Como poderia tudo isto mudar? Quando o amor passou a ser demais, a não caber no peito, quando o medo de perder quem se ama agarrava-se à desconfiança. Tinham igualmente medo de se perder mutuamente, discutiam, discordavam, choravam e entrelaçavam-se em abraços, até ao dia em que perceberam que não podiam dar cabo de tudo aquilo que tinham, que a amizade inicial era mais forte que o que mais tarde crescera.
Seguiram caminhos diferentes mas prometeram jamais criar distância entre eles, quem os amasse um dia mais tarde tinha de respeitar essa amizade que compreendia todo o amor existente na pele e no corpo. Talvez eles não soubessem que estavam destinados um ao outro, o medo de perder é o primeiro passo para a derrota, a vida sempre desvenda algo que está guardado para ser nosso. Por enquanto amavam-se nessa amizade de irmãos porque não é vergonha continuar a ser-se amigo de um ex-namorado, vergonha é apenas lembrar dos maus momentos quando se foi tão feliz."

Não via

Olhava-se no espelho e não se via.

Via um rosto cansado, não via a mulher bonita que ainda era, não via os olhos verdes e as pequenas sardas ao redor do nariz. Não via os cabelos longos.

Não via a mulher que era apaixonada e lutadora, que sorria e perdoava com facilidade. A mulher que ainda era menina.

Via só alguém simples sem ambições, via só o que não queria. Procurava a alma, essa não se vê ao espelho.

 

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