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Histórias Irreais

São pedaços de vida, são desabafos de uns e outros, são partilha

São pedaços de vida, são desabafos de uns e outros, são partilha

Conta-me histórias #4

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Esta semana temos a Mula, que além dos desabafos é má língua, tem umas curtas giríssimas e ainda sabe cozinhar.

Obrigada pela simpatia, e pelo conto tão ao meu gosto, adoro este género.

 

 

 

"Murmurei baixinho o teu nome e pedi-te para ficares, mas tu não ouviste. Bateste a porta e saíste sem que eu conseguisse explicar-te os meus motivos, os meus sentimentos. Eu não fiz nada! Agora, o bater da porta martela-me na cabeça durante o dia, durante a noite nos meus sonhos, nos meus pesadelos. Eu não fiz nada! O bater da porta martela-me na cabeça para que nunca me esqueça que partiste, para que nunca me esqueça quão tonta fui por não te ter impedido, por não ter feito nada!
 
E já não estás aqui... E nunca mais estarás aqui!
 
E agora? O que me resta agora? Viver a minha vida com o perfeito vazio de ti! Viver a pensar o que seria de nós se ainda estivéssemos juntos, se não tivesses batido a porta naquele dia. Se ainda existisses na minha vida. Se ainda estivesses aqui. Se... Se... Se... Mas a vida não é feita de "ses" e cada "se" que me prende, mata um pouco mais a minha alma. Porque já cá não estás, e nunca mais estarás.
 
Às vezes acho que tentei, que tentei prender-te para mim e que te gritei para ficares... Creio apenas que não saiu som! Será que eu não queria que ficasses e por isso não me esforcei mais? Não tentei mais? Não gritei mais alto? Não te implorei para que ficasses? Acho que nunca te mereci... Acho que no fundo sempre soube que era injusto ficar contigo, porque eu nunca fiz por merecer o teu amor. E então não fiz nada!
 
Bem... Fiz... Fiz com que te fosses embora... para sempre! E sabes que mais? É que apesar de parecer cliché aquilo não significou nada. Sexo por sexo, meu amor. Acho que precisava de continuar a provar-me que não prestava e que não te merecia. Tu que sempre foste tão bom para mim. Eu nunca mereci que as pessoas fossem boas para mim. Nunca fiz nada para merecer o amor e a compaixão dos outros. Sempre te avisei disso... Chamavas-me tonta, dizias que eu era especial e que não o sabia. Vês como nunca fui especial? Como nunca fui boa? Acho que inconscientemente querer-te-ia magoar por seres demasiado bom. Porque seres tão bom, lembrava-me o quão má, o quão feia eu era. O quão feia e má eu sou. E agora já cá não estás! E eras a única coisa que realmente importava. Eras a única pessoa que realmente me poderia salvar - como se ainda houvesse salvação.
 
E agora? O que me resta agora? O vazio. O vazio e a tua foto na tua lápide de pedra naquele maldito jardim que te enterra."
 

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Vitória Antunes

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